PARTE 1 (se não gosta de poesia, pule para a parte 2) A minha rosaA mim! Foi a mim que ouviste? Eu! – chamá-la minha rosa!De certo que é bem formosa Entre criança e mulher! Se a vejo tão jovem ainda Tão simples, tão meiga e linda, Da vida no rosicler;Podia chamá-la rosa, De musgo ou de Alexandria, Rosa de amor, de poesia, Mas lhe não dava o que o seu; Porque se essa flor mimosa Já chegaste ao teu retrato, Havias ver como a rosa De repente esmoreceu!Porém teu amor, querida, Teu amor é minha vida, Que é meu cismar, que é só meu; Esse que te faz formosa Entre todas as mulheres Onde achá-lo?! – Minha rosa... Minha és tu!... Como sou teu.Não nego que é meiga e linda, Entre mulher e criança Tão jovem, tão meiga, e ainda Da vida no rosicler; Mas tu vales mais do que ela Não conheces bem teu preço; Acho-te muito mais bela Como és, - entre anjo e mulher. GONÇALVES DIAS PARTE 2 (se não gosta de segredos, fofocas e futricas, fique só na foto mesmo) Sobre mim: Isso mesmo, agora não é mais sobre a foto. Hora de fazer confidências que vão além dela. Ilustres desconhecidos, talvez isso não interesse a vocês mas eu tenho que publicar: este poema eu dedico a mim. Por quê? Por que eu descobri que nenhum homem nunca vai fazer isso. Tá, deixa eu tentar fazer isso ter sentido. É o seguinte: Não ficava com ninguém há séculos (a palavra “séculos” pode ser bem relativa, então peguem o que vocês consideram muito tempo e usem como referência – porque o meu tempo é impublicável). Sei que ficar é uma coisa bem física, mas sempre fiquei com pessoas com as quais eu estivesse de alguma forma envolvida emocionalmente. Então chegou um cara que dava em cima de mim há muito tempo e por carência fiquei com ele. É, errado, eu sei, mas eu-carente sou pior que eu-doida e eu-neurótica: incontrolável. Voltando ao cara, ele beijava mal e eu sequer achava ele uma pessoa agradável. Mas eu fiquei eufórica. Havia desencalhado. Nada como um dia depois do outro, porque eu caí em um poço de arrependimento. Inevitavelmente eu encontrei ele no final de semana seguinte (que viria a ser o último final de semana). Ele ficou de marcação cerrada em cima de mim, e toda hora falava “ Você não vai me beijar na boca mais não?”. (Na minha opinião não tem nada mais vulgar que a expressão “beijar na boca”). Se depois daquela noite desastrosa a melhor coisa que ele tem a me dizer é isso, milhares de poemas nunca serão lidos a mim por bocas masculinas. Se for lido por bocas femininas com segundas intenções, também não adiantaria porque eu sou heterossexual. Vou ouvir então da minha boca. Vou fazer serenata na minha janela. Vou declarar amor a mim mesma. Vou colocar a foto acima embaixo do meu travesseiro. Vou fazer o impossível para que cretinos como ele não matem o infinito amor guardado em livros empoeirados esperando ser dedicado a alguém. VOU DEDICÁ-LO A MIM! Ahá! Agora me digam: quem precisa de homens? Desculpem se fui precipitada ou coloquei em questão idéias generalizantes, não esperem hoje algo melhor de mim. Considerações: Este é um post de um dos inúmeros fotolog que tive (que está, como os outros, inativo - então nem deixo o endereço), referente ao dia 04/10/04. Sobre o meu pensamento, quanta diferença! Como alguém pode mudar da água pro vinho (ou do vinho pra água, ou da cachaça pra vodca, etc...) em pouco menos de um ano?Revoluções... As revoluções mais significativas são aquelas que acontecem em você mesmo, pois são elas que têm o poder de mudar idéias comuns.Até em si mesmo.
Eu tinha uma idéia que era um soco no estômago e que me desesparava. " (...) pendurou-se-me uma idéia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, entrou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrogantes cabriolas de volatim que é possível crer. Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te"*.Sim, decifrei-a. Mas ela continuou a devorar-me voraz e impiedosamente, com as dúvidas que não cessavamm e que, abrasivas, corroíam. Uma ideía livre e saltimbanca, com uma auto-anomia que não mede escrúpulos. Livre, não segue a regra de não ferir para não ser ferido. Idéia que me rege e não me guarda. (Idéia que é minha mas não me livra de alusões e citações).Inimiga e corrente. Ela me unia a algo e me trazia uma felicidade inconsciente. Quando me desfiz dela, meu consciente nunca esteve tão perto do meu inconsciente e eu nunca me senti tão triste e tola. O que me unia de desfez, e eu finalmente me libertei.A liberdade nunca havia me parecido tão aterrorizante.*"Memórias Póstumas de Brás Cubas", Machado de Assis
Falha técnica simultânea: no meu computador e na minha inspiração.Nada que uma boa imersão (?) não resolva.
Pausa para o café, para descanso, e pra lembrar o que realmente está acontecendo.7 de setembrocomemoramos a independênciapor pura sacanagem.nos livramos dos portugas,mas não da politicagem.os gringos nos escravizame o governo só diz bobagem.ANITA COSTA PRADO
Quais são os limites da razão humana? Muitas vezes já me perguntei se eu saberia se fosse louca, ou tivesse alguma debilitação ou síndrome, por exemplo. Percebo como tratam as pessoas que têm síndrome de Down: afetuosamente, como crianças, estejam elas com a idade que estiverem. Não digo que deveria ser de outra forma, mas isso me faz pensar que tudo o que acontece na nossa vida é armado para que ela seja confortavelmente real. Com felicidades e tristezas. Com alienação cuja cura não se encontra em livros. Na tentativa de não me alienar, imagino-me uma louca no meio de tantos outros loucos, que vivem em prol de de fazerem-se sentir normais e com uma estranha igualdade. Quando me imagino uma louca, sucumbo em minhas próprias neuroses. Minhas neuroses me consomem e talvez seja considerada louca apesar do pacto inconsciente e silencioso que a humanidade fez para aceitar-se. Ou seja, sou louca ao cubo e descontente de mim mesma (será?). Pior que ser louca é ser uma louca neurótica. E descontente consigo mesma.
Ouvir jazz dá vontade de dançar por dentro e por fora.Os amigos de verdade não estão ao seu lado, e sim são ao seu lado.No ônibus um cara estava vendendo algodões-doces amarelos, laranjas, rosas e brancos. O cara viu minha cara de criança querendo doce e sorriu pra mim quando perguntei qual era o preço. Peguei rosa, a cor das meninas. Ele estava doce e gostoso, mas amargo. Não parei de comer porque o cara simpático estava perto e, afinal das contas, era um algodão doce muito bonito de se comer. Ao final, percebi que poderia estar sendo envenenada. O moço me pediu o palito de volta, e constatei que A- tinha acabado de comer algo não muito higiênico e B- ele estava recolhendo as evidências. Peguei meu bloco de notas e escrevi uma descrição policial dele, disse em qual ônibus estava e como era amargo o algodão-doce, caso alguém procurasse algo perto do meu cadáver.Esperar ônibus não é legal, principalmente quando parece que eles não irão passar nunca. E, de fato, não passam.Sinto pelos publicitários: a imagem não rege o mundo como muitos acreditam. Não há algo que aproxime mais as pessoas do que as palavras. (Se uma imagem vale mais do que mil palavras, escolho duas mil palavras)Um dia acordei pensando que estava grávida de um espírito santo no qual não acredito. Entrei em pânico e percebi que seria capaz de aborto (não, o mundo não precisa de mais um messias para sofrer pecados alheios). Um dia acordei e percebi que era uma assassina em potencial.Ouvir jazz dá vontade de dançar por dentro e por fora.P.S.: O que é real? Biografia ou metáforas? Talvez os dois.
preciso de liberdadequero esquecer maiúsculas(como já havia feito para algumas palavras 'mágicas'- e pouco lógicas)quero escrever aquiacolápra cá e ___________________________ pra lánão quero limites, não quero espaçoquero um segundo atoquero sentir e sentir palavras caírem como quiseremou como puderemcomo não convir!sinto a liberdade estrando em espaços indefinidose na falta de cooperatividade para com o leitor(ou pela total cooperatividade de dispensar o inútil e ser direta como balaos indiretos burocratizam e atrapalham, ai de nós!)com vírgulas faço ,,,,,,,,,,,,,,,,,,com interrogações faço ??????????com exclamações !!!!!!!!!!!!!!!com pontos faço finais no que é infinitoou no que quero que seja eternizadocom sentimentos façoisssssssssssssssssssssssssoe aqui sem ponto e sem ponta inicializo